Aristóteles 03: Primeiros Analíticos e Analíticos Posteriores, de Aristóteles

Aristóteles 03: Primeiros Analíticos e Analíticos Posteriores, de Aristóteles

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1. Informações Gerais (Editorial) Título original da obra: Analytica Priora e Analytica Posteriora Em grego: Ἀναλυτικὰ Πρότερα e Ἀναλυτικὰ Ὕστερα. Título corrente em português: Primeiros Analíticos e Analíticos Posteriores Autor: Aristóteles País de origem: Grécia antiga Gênero: Filosofia antiga; lógica; teoria da demonstração; epistemologia; filosofia da ciência; método filosófico; Organon aristotélico. Período de composição: Século IV a.C., no contexto da atividade filosófica de Aristóteles e da formação de sua escola, o Liceu. Idioma original: Grego antigo. Estrutura: O volume reúne dois tratados centrais do Organon. Nos Primeiros Analíticos, Aristóteles investiga a estrutura formal da inferência dedutiva, especialmente o silogismo. Nos Analíticos Posteriores, passa da forma do raciocínio à questão do conhecimento científico, examinando a demonstração, os princípios, a definição, a causalidade e as condições pelas quais algo pode ser conhecido verdadeiramente como ciência. Lugar canônico na tradição: Os Primeiros Analíticos são reconhecidos como um dos textos fundadores da lógica formal no Ocidente. Neles, Aristóteles oferece a primeira teoria sistemática do silogismo. Os Analíticos Posteriores, por sua vez, apresentam uma das formulações clássicas da ciência demonstrativa: saber não é apenas constatar que algo é assim, mas compreender por que é assim, a partir de causas e princípios. A Stanford Encyclopedia of Philosophy identifica os Analíticos Posteriores como a obra em que Aristóteles expõe sua teoria da demonstração e o papel dela no conhecimento. 2. Informações de Contexto, Conteúdo e Forma da Obra (MKT) Sinopse Antes de Aristóteles, os homens raciocinavam, discutiam, persuadiam e investigavam. Com Aristóteles, a razão começou a examinar formalmente a si mesma. Nos Primeiros Analíticos e nos Analíticos Posteriores, o filósofo grego estabelece alguns dos fundamentos mais duradouros da lógica, da demonstração e do conhecimento científico. Nos Primeiros Analíticos, Aristóteles investiga a estrutura do raciocínio dedutivo. Seu tema central é o silogismo: uma forma de inferência em que, postas certas premissas, uma conclusão se segue necessariamente. A obra procura determinar quais combinações de proposições produzem conclusões válidas e quais apenas aparentam fazê-lo. Com isso, Aristóteles oferece uma gramática do raciocínio rigoroso, capaz de distinguir consequência necessária de mera associação verbal. Mas a lógica não se esgota na validade formal. Por isso, nos Analíticos Posteriores, Aristóteles dá um passo decisivo: pergunta que tipo de raciocínio produz ciência. A demonstração científica não é qualquer argumento válido. Ela deve partir de princípios verdadeiros, primeiros, imediatos, mais conhecidos e causais em relação à conclusão. Saber, em sentido pleno, é conhecer a causa pela qual uma coisa é o que é. A passagem dos Primeiros Analíticos aos Analíticos Posteriores é, portanto, a passagem da forma do raciocínio à arquitetura do conhecimento. Primeiro, Aristóteles ensina como uma conclusão se segue de premissas; depois, mostra quando essa conclusão constitui verdadeiro saber científico. A lógica torna-se instrumento da ciência, e a ciência, por sua vez, exige ordem, causa, demonstração e princípio. Poucas obras exerceram influência tão profunda sobre a história da filosofia. Durante séculos, a lógica aristotélica formou o núcleo da educação intelectual no mundo antigo, medieval e moderno. Sua linguagem — termos, proposições, premissas, conclusão, silogismo, demonstração, definição, causa — tornou-se parte da própria estrutura do pensamento filosófico ocidental. Este volume oferece ao leitor o contato com dois tratados essenciais para compreender como a tradição filosófica aprendeu a pensar o pensamento: não apenas a defender opiniões, mas a demonstrar; não apenas a concluir, mas a saber por que a conclusão é necessária; não apenas a argumentar, mas a fundar o conhecimento em princípios. Eixos temáticos centrais a. O silogismo Nos Primeiros Analíticos, Aristóteles define e analisa o silogismo como raciocínio em que, estabelecidas certas coisas, outra coisa se segue necessariamente delas. Essa teoria se tornou a base da lógica dedutiva clássica. b. Validade formal A obra distingue argumentos válidos de argumentos apenas aparentes. O interesse de Aristóteles não está apenas no conteúdo das opiniões, mas na forma pela qual uma conclusão decorre de premissas. c. Termos, premissas e conclusão A lógica aristotélica trabalha com relações entre termos distribuídos em proposições. A conclusão de um silogismo depende da posição e da conexão correta entre termo maior, termo menor e termo médio. d. Figuras e modos silogísticos Aristóteles classifica diferentes estruturas de silogismo, examinando quais formas produzem inferências necessárias. Esse esforço representa uma das primeiras grandes sistematizações da lógica formal. e. Demonstração científica Nos Analíticos Posteriores, a questão central é a demonstração. A demonstração é o silogismo que produz conhecimento científico, pois parte de premissas verdadeiras, primeiras e explicativas. f. Conhecer o fato e conhecer o porquê Aristóteles distingue saber que algo acontece de saber por que acontece. A ciência, em sentido rigoroso, exige o conhecimento da causa. Não basta constatar o fenômeno; é preciso compreender seu fundamento. g. Princípios primeiros Toda demonstração depende de princípios que não podem ser demonstrados da mesma maneira que as conclusões. Aristóteles investiga como esses princípios são conhecidos e qual o papel deles na estrutura das ciências. h. Definição e essência Os Analíticos Posteriores relacionam demonstração, definição e essência. Conhecer cientificamente uma coisa envolve compreender o que ela é e por que suas propriedades lhe pertencem. i. Lógica e ciência O conjunto dos dois tratados mostra que a lógica não é simples exercício escolar. Ela é instrumento da ciência: ensina a razão a passar de premissas a conclusões e a distinguir opinião, argumentação provável e conhecimento demonstrativo. j. Formação do pensamento ocidental A influência desses tratados atravessou a Antiguidade, a escolástica medieval, a filosofia árabe, a filosofia cristã e a educação lógica europeia. A teoria aristotélica da inferência e da demonstração tornou-se um dos grandes pilares da tradição intelectual do Ocidente. Palavras-chave Aristóteles; Primeiros Analíticos; Analíticos Posteriores; Organon; lógica aristotélica; silogismo; demonstração; ciência; conhecimento científico; epistemologia; filosofia antiga; filosofia da ciência; dedução; premissas; conclusão; termo médio; validade; causa; definição; essência; princípios primeiros; método filosófico; Liceu; pensamento grego. 3. Outras Informações Relevantes e Curiosidades Aristóteles nasceu em 384 a.C., em Estagira, e morreu em 322 a.C. Foi discípulo de Platão, fundador do Liceu e um dos filósofos mais influentes de toda a história. A Stanford Encyclopedia of Philosophy afirma que, em termos de influência filosófica, apenas Platão pode ser comparado a ele. O nome Organon significa “instrumento”. Embora esse título não tenha sido dado pelo próprio Aristóteles como nome de um livro único, a tradição passou a reunir sob ele os tratados lógicos aristotélicos. Os Primeiros Analíticos são geralmente reconhecidos como a primeira exposição sistemática da lógica formal. A obra procura mostrar quais formas de argumento garantem conclusões necessárias. Os Analíticos Posteriores tratam da ciência demonstrativa. Para Aristóteles, uma demonstração é um silogismo que produz conhecimento científico; esse conhecimento não mostra apenas que algo é verdadeiro, mas por que é verdadeiro. Na tradição medieval, especialmente nas universidades escolásticas, a teoria da demonstração desenvolvida a partir dos Analíticos Posteriores foi considerada uma etapa culminante da lógica. A distinção entre conhecer “o fato” e conhecer “a causa” é uma das contribuições mais importantes dos Analíticos Posteriores para a filosofia da ciência. A lógica aristotélica permaneceu dominante por muitos séculos e continuou sendo ensinada como base da formação intelectual até o surgimento da lógica matemática moderna. Os dois tratados ajudam a compreender por que, para a tradição clássica, pensar bem não é apenas ter boas ideias, mas ordenar corretamente os conceitos, as premissas e as conclusões. A publicação de Primeiros Analíticos e Analíticos Posteriores oferece ao leitor contemporâneo acesso a um momento fundador: o nascimento da lógica como investigação sistemática e da ciência como conhecimento demonstrativo pelas causas.

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