Dois caminhos, um destino
A amizade é, de facto, um eixo da narrativa de Dois Caminhos, Um Destino; desde a dedicatória até aos primeiros capítulos, o livro é um hino à amizade, e ao longo da leitura encontramos uma cartografia afetiva, onde os laços entre personagens funcionam como âncoras num mundo marcado pela instabilidade, pela diáspora e pela perda. Joaquim Sequeira escreve entre uma prosa narrativa e um lirismo reflexivo: a evocação de Angola, da diáspora e dos espaços partilhados (como casas, cafés ou jardins) cria uma dimensão nostálgica, por ente uma oralidade poética e uma memória como matéria importante. Assim, este livro aproxima-se de uma tradição lusófona de escrita da saudade, onde o passado não é apenas lembrado, mas continuamente revivido. Estamos perante um livro que se lê como quem revisita fotografias antigas.
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